Como quisesse livre ser
Como quisesse livre ser, deixando
As paragens natais, espaço em fora,
A ave, ao bafejo tépido da aurora,
Abriu as asas e partiu cantando.
Estranhos climas, longes céus, cortando
Nuvens e nuvens, percorreu: e agora
Que morre o sol, suspende o vôo, e chora,
E chora a vida antiga recordando.
E logo, o olhar volvendo compungido
Atrás, volta saudosa do carinho,
Do calor da primeira habitação.
Assim por largo tempo andei perdido:
Ali! Que alegria ver de novo o ninho,
Ver-te, e beijar-te a pequenina mão!
Olavo Bilac
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