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23 de outubro de 2015

Boa noite!


Como quisesse livre ser

Como quisesse livre ser, deixando
As paragens natais, espaço em fora,
A ave, ao bafejo tépido da aurora,
Abriu as asas e partiu cantando.

Estranhos climas, longes céus, cortando
Nuvens e nuvens, percorreu:  e  agora
Que morre o sol, suspende o vôo, e chora,
E chora a vida antiga recordando.

E logo, o olhar volvendo compungido
Atrás, volta saudosa do carinho,
Do calor da primeira habitação.

Assim por largo tempo andei  perdido:
Ali! Que alegria ver de novo o ninho,
Ver-te, e beijar-te a pequenina mão!


Olavo Bilac

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