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17 de fevereiro de 2016


O tempo seca a beleza.
Seca o amor, seca as palavras.
Deixa tudo solto, leve
Desunido para sempre
Como as areias nas águas.

O tempo seca a saudade
Seca as lembranças e as lágrimas 
Deixa algum retrato apenas.
Vagando seco e vazio
Como estas conchas da praia.

O tempo seca o desejo e suas velhas batalhas
Seca o frágil arabesco, vestígio do musgo humano,
Na densa turfa mortuária.

Esperarei pelo tempo
Com suas conquistas áridas.
Esperarei que te seque 
Não na terra, Amor perfeito 
 Num tempo depois das almas.


Cecília Meireles


Foto: Maria Luzia


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