O tempo seca a beleza.
Seca o amor, seca as palavras.
Deixa tudo solto, leve
Desunido para sempre
Como as areias nas águas.
O tempo seca a saudade
Seca as lembranças e as lágrimas
Deixa algum retrato apenas.
Vagando seco e vazio
Como estas conchas da praia.
O tempo seca o desejo e suas velhas batalhas
Seca o frágil arabesco, vestígio do musgo humano,
Na densa turfa mortuária.
Esperarei pelo tempo
Com suas conquistas áridas.
Esperarei que te seque
Não na terra, Amor perfeito
Num tempo depois das almas.
Cecília Meireles
Foto: Maria Luzia
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