O dicionário define
solidariedade como o sentido moral que vincula o indivíduo à vida e aos
interesses de uma pessoa, de um grupo, de uma nação ou da humanidade. Apoio à
causa ou princípio de outrem.
Partindo deste princípio,
percebemos que costumamos praticar a solidariedade somente quando somos tocados
intimamente em nossos sentimentos; e nos condoemos por nos colocarmos no lugar
do outro e nos identificarmos com o seu sofrimento.
É comum, então, nos
sentirmos cheios de dó, infelizes, e muitas vezes até culpados, como se fôssemos responsáveis pelo mundo inteiro. Tudo isso, porque entendemos
erroneamente o sentido da solidariedade e nos entregamos a uma emoção
derrotista e destrutiva, que somente cria vítimas e paralisa, no lugar de
motivar.
E o pior: ao
sintonizarmos com a energia do sofrimento alheio, a absorvemos e disparamos
gatilhos emocionais pessoais que fazem aflorar do próprio inconsciente,
situações antigas mal resolvidas. Então, ao invés de um ser infeliz, serão
dois, sem resolver nada, estagnados na lama da auto piedade e do vitimismo.
Deste modo, há uma
injeção de mais sofrimento na vibração correspondente já existente no
inconsciente coletivo. O sofrimento geral é fermentado, estimulando assim os
acontecimentos trágicos em níveis individuais e principalmente coletivos.
Ser solidário não é
absorver o sofrimento do outro para si próprio ou sofrer junto, mas sim
entender, apoiar, esclarecer, ajudar enfim, sem absorver a energia de
sofrimento e dor do outro.
O importante é nunca
esquecermos de que cada um enfrentará a vida de acordo com sua maturidade
evolutiva e que, muitas vezes, para adquiri-la, precisa enfrentar situações
difíceis a fim de desenvolver as qualidades e potenciais latentes, auto
afirmando-se, para se realizar e assim poder colaborar na realização da
sociedade à qual pertence.
Portanto, solidariedade
deve ser definida como compreensão, compaixão ajuda e apoio a pessoas ou
situações que assim o precisem, mas nunca sofrendo junto.
Espalhar alegria,
motivação, felicidade, destemor e segurança na tragédia é ser mais solidário
ainda, pois corta e elimina a vibração de dor, medo e impotência, religa-a à
vibração de força, coragem, destemor, realização e auto confiança. Melhora a
auto-estima de cada um e assim, pela sintonia energética, de toda uma tragédia.
Dos escombros nasce um
novo ser, uma nova comunidade, um novo povo, revigorado, fortalecido,
autoconfiante, cheio de brios e energias renovadas para recomeçar e crescer
cada vez melhor.
Depois da tempestade
sempre vem a bonança. Ela foi bruta, forte e violenta: arrasou casas,
transbordou riachos, derrubou florestas, mudou o desenho dos rios e das cidades
- foi a forma da natureza renovar, reciclar. Mas, depois de tudo isso, a
bonança: aos poucos, brotam espécimes em lugares em que não existiam antes,
porque a tormenta lá depositou as sementes, e estas, ao crescer mostrarão sua
importância para aquela região. Casas se erguem, sem a herança de passados
dolorosos; novas pessoas, novos hábitos com energias renovadoras: coisas boas
passam a existir onde antes não havia. Com o desapego, vem a renovação.
É preciso saber perceber
e distinguir isto tudo; é preciso ação, arregaçar as mangas, por mãos à obra,
fortalecidos pelo apoio solidário de outros, que chega sempre. Não somente
esperar que o outro o faça, na ilusão do "coitadismo", mas usar a
solidariedade recebida para fortalecer-se e recomeçar.
Mas, o melhor de tudo é
sabermos que não precisamos esperar chegar às tragédias ou buscar situações
dolorosas para sermos solidários; podemos praticar solidariedade diariamente,
nas mínimas coisas.
Abrir uma porta para
alguém passar, cumprimentar alegremente, oferecer-se para carregar um pacote,
ceder o assento no ônibus, dar passagem no transito, agradecer uma gentileza ou
favor, por menores que sejam, são pequenos gestos de solidariedade (e diria
mais: de educação!) que, praticados continuamente produzem boas sensações e
sentimentos; são sementes que, levadas pelo vento da compaixão produzirão bons
frutos para a sociedade de uma forma geral.
Como é fácil e bom ser
solidário! Como é simples!
Vamos rever nossos
conceitos sobre solidariedade e praticá-la com modéstia, sem exigirmo-nos
grandes feitos, mas no nosso dia a dia, nas pequenas coisas. Não esqueçamos de
que o oceano é formado de uma quantidade infinita de gotas...
Texto de: Eda Cecília Marini
Imagem do Google

2 comentários:
Bela escolha de texto e imagem, Maria Luzia! Parabéns pelo excelente post, amiga; boa semana.
Obrigada Árabe! Fica com Deus e um grande abraço.
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